sábado, 24 de setembro de 2011

.Quarenta

Foi quando acordei quarenta,numa tempestade de emoções novas em um corpo quase velho.Baniram do século 21 as pessoas nascidas em 1970,foram embora  abolidas pela realidade do envelhecer.São velhos acanhados perguntando a esmo que merda é essa de idade esclarecedora ou são semi-velhos escondidos do óbvio que os delata.
Sexualmente somos insistente na arte desgastante de ser o que precisamos ser e não o que somos de fato.O ser humano da busca inexistente,ser humano e não super humano infelizmente.
Então quando quarentão posso afirmar que conheço a verdade,minha verdade particular que não é a mesma do mundo real.Verdade pra ser de fato tem que ser dividida,aceita por todos,praticada sem monopólio.
Do todo,incapaz de ser o que precisa ter.
Do quase incapaz de ter o que precisa ser.
Não precisamos passar 100 anos carregando este estigma,até o próximo ciclo, mas sou fraco demais para consertar o mundo ou a geração dos incapazes.  

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Migrante e o criador de cães.

  Causo de migração.
  Bem vindo a nossa São Paulo.
  As nove horas da manhã de um dia comum. Mega-metrópole,São Paulo.
  Saullo Ramos,mal entrou com seu motorista no carro blindado rumo ao heliporto,que ficava quase ao lado de sua mansão (São Paulo é a segunda cidade do mundo em quantidade de helicópteros) tinha pressa.
  -Pode ir! Ordenou.Entretido,sacou seu computador portátil que foi bruscamente arrancado de suas mãos por uma frenada brusca.Abriu o vidro,coisa que não fazia com frequência devido ao ar condicionado e a violência,tentando visualizar o motivo do acontecido antes de chamar a atenção do motorista desatento.
  -Dia homi!Descurpe o mar jeito,paranu assim na frente de seu carro,mas é que...
Eram seis pessoas maltrapilhas,um homem,a mulher e quatro crianças.Talvez Nordestinas,Amazonense,matogrossense ...Quem sabe,uma família composta de pais e filhos,julgou Saullo, ouvindo o palavreado com sotaque,contaminado pelo desconforto da quebra da rotina.Como ficaria seu jornal,perguntou-se em pensamento.Como iria ler?
-Droga!Sussurrou entre os dentes.O que vocês querem?Perguntou com voz áspera,antes que o homem pudesse terminar a frase.
-Queremo "poso" para a noite que vai chega no fim do dia de hoje!
-Pouso?Pousar? Na minha casa?Porque justamente na minha casa?Isso com tanto abrigo criado pelo prefeito para mendigos como vocês por aí!Acenou com o braço.
-É que nois não é mendigo,somo gente com famia,num gostamo de misturá as coisa.
Saullo parecia transtornado,afrontado,ferido no ego por ainda estar ali parado dando ouvidos a  tudo aquilo,perda de tempo,afinal era um homem de grandes negócios.Mas quem olhasse a distância veria uma ponta de felicidade marginal brotar dos olhos estáticos do motorista,ele nunca pensou ver seu "amo e senhor"em tamanha enrascada, no fundo sua porção desgraçada e vingativa de ser humano tosado pela rotina,estava feliz.Era sua obrigação intervir.
-Devo tocar o carro senhor!
-Mas é claro,agora!Vamos...
-Sua casa pelo que nois vemo(insistiu o principal da família) daqui de fora,da pra cabê umas duzenta pessoa,sem que um se tope no otro,nois é só seis,vai negá purquê,tem criança aquí que carece abrigo.Olhou para o resto da família que assentiu com a cabeça em sinal de sintonia.
-Nois pode pagá!Nois temo dinheiro(continuou o homem de fala firme mas que durante todo o discurso manteve os olhos fixo no chão em sinal de humildade).
-Pare!Desligue o motor!(o motorista obedeceu imediatamente,sem entender a atitude do patrão)
-Querem...Engasgou,tossiu.Dormir na minha casa e desejam pagar?
-Isso memo,damo trinta real na hora.
-Espera aí! deixa ver se eu entendi direito?Querem pernoitar na minha casa e me dão trinta reais como forma de pagamento?
-Isso memo,acabamos de chegar e sua casa foi o único lugar que vimo de cara.
-Esta bem!Podem ir!Com o braço esticado acionou o portão eletrônico.
-Muito bom! Disse o pai.Vamo logo,ordenou ao outros!
Em fila se dirigiram para a entrada principal calmamente.
Pelo celular Saullo ordenou:-Abra os canis.
O vento soprou refrescante balançando as folhas de um frondoso arbusto de pau-brasil que moldurava seu imponente jardim,Saullo sempre teve orgulho de sua consciência ecológica, foi então que na placa dourado ficou visível a seguinte frase:-CRIADOR DE CÃES/ RAÇA PURA.