sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Migrante e o criador de cães.

  Causo de migração.
  Bem vindo a nossa São Paulo.
  As nove horas da manhã de um dia comum. Mega-metrópole,São Paulo.
  Saullo Ramos,mal entrou com seu motorista no carro blindado rumo ao heliporto,que ficava quase ao lado de sua mansão (São Paulo é a segunda cidade do mundo em quantidade de helicópteros) tinha pressa.
  -Pode ir! Ordenou.Entretido,sacou seu computador portátil que foi bruscamente arrancado de suas mãos por uma frenada brusca.Abriu o vidro,coisa que não fazia com frequência devido ao ar condicionado e a violência,tentando visualizar o motivo do acontecido antes de chamar a atenção do motorista desatento.
  -Dia homi!Descurpe o mar jeito,paranu assim na frente de seu carro,mas é que...
Eram seis pessoas maltrapilhas,um homem,a mulher e quatro crianças.Talvez Nordestinas,Amazonense,matogrossense ...Quem sabe,uma família composta de pais e filhos,julgou Saullo, ouvindo o palavreado com sotaque,contaminado pelo desconforto da quebra da rotina.Como ficaria seu jornal,perguntou-se em pensamento.Como iria ler?
-Droga!Sussurrou entre os dentes.O que vocês querem?Perguntou com voz áspera,antes que o homem pudesse terminar a frase.
-Queremo "poso" para a noite que vai chega no fim do dia de hoje!
-Pouso?Pousar? Na minha casa?Porque justamente na minha casa?Isso com tanto abrigo criado pelo prefeito para mendigos como vocês por aí!Acenou com o braço.
-É que nois não é mendigo,somo gente com famia,num gostamo de misturá as coisa.
Saullo parecia transtornado,afrontado,ferido no ego por ainda estar ali parado dando ouvidos a  tudo aquilo,perda de tempo,afinal era um homem de grandes negócios.Mas quem olhasse a distância veria uma ponta de felicidade marginal brotar dos olhos estáticos do motorista,ele nunca pensou ver seu "amo e senhor"em tamanha enrascada, no fundo sua porção desgraçada e vingativa de ser humano tosado pela rotina,estava feliz.Era sua obrigação intervir.
-Devo tocar o carro senhor!
-Mas é claro,agora!Vamos...
-Sua casa pelo que nois vemo(insistiu o principal da família) daqui de fora,da pra cabê umas duzenta pessoa,sem que um se tope no otro,nois é só seis,vai negá purquê,tem criança aquí que carece abrigo.Olhou para o resto da família que assentiu com a cabeça em sinal de sintonia.
-Nois pode pagá!Nois temo dinheiro(continuou o homem de fala firme mas que durante todo o discurso manteve os olhos fixo no chão em sinal de humildade).
-Pare!Desligue o motor!(o motorista obedeceu imediatamente,sem entender a atitude do patrão)
-Querem...Engasgou,tossiu.Dormir na minha casa e desejam pagar?
-Isso memo,damo trinta real na hora.
-Espera aí! deixa ver se eu entendi direito?Querem pernoitar na minha casa e me dão trinta reais como forma de pagamento?
-Isso memo,acabamos de chegar e sua casa foi o único lugar que vimo de cara.
-Esta bem!Podem ir!Com o braço esticado acionou o portão eletrônico.
-Muito bom! Disse o pai.Vamo logo,ordenou ao outros!
Em fila se dirigiram para a entrada principal calmamente.
Pelo celular Saullo ordenou:-Abra os canis.
O vento soprou refrescante balançando as folhas de um frondoso arbusto de pau-brasil que moldurava seu imponente jardim,Saullo sempre teve orgulho de sua consciência ecológica, foi então que na placa dourado ficou visível a seguinte frase:-CRIADOR DE CÃES/ RAÇA PURA.





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